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Em nós.

Hoje não dormi a pensar em nós. E acordei dos meus pensamentos ora vagos ora cheios, a pensar em nós. Em como tudo começou, em como tudo se construiu a partir de uma pequena cena até ao clímax da história que eu ainda não sei como terminar e que eu nem quero, por sombras, terminar. A gente se encaixa tão bem. Contudo, ao mesmo tempo, nós conseguimos ser piores que os opostos e em nada parecemos concordar. Somos água, quando calmos e no abraço e um fogo incapaz de ser extinto e inflamando tudo ao redor quando agitados, quando o sangue ferve na veia. Somos branco quando tudo é claro, pacífico e somos preto quando procuramos no nosso “eu” mais obscuro aquela palavra para magoar de um jeito melhor, ou pior, o outro. Somos o belo quando os sorrisos estão sempre estampados no rosto, nos lábios e no olhar mas, somos também o horrível quando em momentos as lágrimas surgem. Somos o inquestionável quando já tudo parece ser certo e somos o incerto quando mil perguntas passam pela nossa cabeça e nos deixam o coração no peito pequenino. Em nós vejo mil e uma contradições e eu não conseguiria nos ver de outra maneira. Não seríamos nós. Porém, em contra partida, eu vejo uma coisa que não há como contradizer: a vontade, a tentativa. Eu nunca nos vi a desistir de todo. As palavras se tornaram simples palavras quando, por um gesto, uma acção nós acabamos por estar ali, sempre. Não adianta culpar o destino algumas vezes, estas coisas somos nós que as fazemos, a obra é nossa. É a nossa vontade. Talvez isso nos faça sentir um pouco mais diferentes “do outro”. Talvez, em nós, eu consiga sentir aquilo a que chamo amor, aquele tanto de amor que não nos deixa desistir, dizer “adeus”. Porque dói, porque respirar o fogo, o preto, o horrível e o incerto todas as vezes não me parece um elixir para a felicidade; esta que eu procuro. Esta que eu encontro em nós.

Text posted 1 year ago