10 minutos
Ela estava feliz por o ter ali, com ela. Estava nas nuvens, o seu coração batia calmo dentro do seu peito. Ou talvez não. Talvez o mesmo pulasse fortemente por todo aquele sentimento, por sentir que ali, conversando com ele, era o melhor que ela poderia estar a fazer naquele momento. Calma, era só como ela se sentia, tão bem, em paz. A conversa não tinha um tema especial e era na variedade dos mesmos que estava a animação para ela, como eles poderiam fazer de qualquer coisa interessante, digna de acontecimentos tão fantásticos, daqueles que ocupariam páginas e páginas de revistas e jornais. Para ela. Pois, quem visse de fora, quem não pertencesse àquele mundo deles, não ligaria. Não se interessar-se-ia.
“Eu tenho que ir.”. Oh, ele teria que ir. A ansiedade de o poder voltar a ver, por mais em horas que fossem e que chegariam rápido, já se transformava numa saudade. Ela não queria que ele fosse assim, queria aproveitar mais um pouco. “Não. Fica mais um pouquinho.”. Só isso. Podiam ser mais meia dúzia, dez minutos. Ela só queria aproveitar de um jeito melhor os minutos que teria a mais com ele e não com conversas idiotamente perfeitas e sem rumo, mas para lhe dizer, lhe relembrar como ela o amava, gostava dele, lhe desejar um resto de bom dia, poder se despedir de um jeito que ela gostasse - já que despedidas, nunca seriam a coisa favorita dela fazer. Era só mais um pouco na companhia dele. Contudo, isso foi-lhe negado. Apenas 10 minutos lhe foram negados. Ela precisou manter-se calma enquanto o olhava sair. As conversas de antes tornaram-se vagas, ela não queria acreditar que um sexto de uma hora iria fazer tanta diferença na vida dela. Engoliu em seco várias vezes e o seu coração continuava a bater forte no seu peito. Porém, agora doía e não lhe trazia paz. “Como ele, justo ele, não pode ficar dez minutos a mais comigo? Eu não pedi nada impossível.”. E é, ela estava certa. Não era impossível. Mas ele foi e não ficou mais com ela e, machucada, não conseguiu dizer que o amava no momento em que ele saiu.
Era uma coisa tão pequena. Novamente, ninguém mais compreenderia porque ela tinha ficado assim justo a um detalhe tão estúpido como dez simples minutos, e esse mesmo detalhe seria de todo ignorado por ela se não fosse por ele, se não fosse por ela lhe ter pedido “Fica mais um pouquinho…”.
As horas passaram e ele acabou por voltar. Arrependido. Talvez ele se tivesse apercebido que mais dez míseros minutos na companhia dela não lhe teriam feito grande diferença lá fora ou que, se fosse ele pedindo, ele gostaria que ela ficasse também… nem que não dissesse nada, só por o simples prazer de continuar na companhia dele. Ele atrasou o relógio dez minutos, exactamente, e junto com um pedido de desculpas. Não mudaria o facto de ele ter antes lhe negado um prazer tão pequeno e negligenciar os sentimentos dela por ser “uma coisa tão pequena” que a tinha feito chorar… mas, lhe trouxe uma paz, uma vontade de resolver as coisas e não deixar aqueles dez estúpidos minutos lhe tirarem o sono. As atitudes contavam - e contam, mais que palavras: Um gesto vale por mil palavras - e a dele, valeu por muitas. Aliás, as duas atitudes dele. A má e a boa. Para o bem e para o mal, como o que ele fazia tinha tanto efeito nela assim?
A situação tinha tudo para ficar bem e eles pudessem voltar àquele mundo deles sem que pensassem mais na diferença de uns minutos. Porém, se assim fosse, ela não estaria a escrever um texto intitulado “10 minutos”… Não é mesmo?
Moral da história: Incrível como aquela pessoa pode fazer as pequeníssimas boas coisas tanto serem as melhores do mundo, como tornar as menos boas em algo que nos derruba. E é estupidamente ridículo como um detalhe pode simplesmente conseguir abalar uma história feliz.