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Saudade

Saudade. Não existe coisa que me consiga trazer mais angústia, nostalgia e tristeza. Sentir saudades é a pior das emoções de um ser humano. É o que mais dói. Mais ainda quando não as podemos “matar”. E eu tenho saudades. Tenho saudades de pessoas, dos meus brinquedos de infância, da minha própria infância, da minha família que já se foi. E eu sempre me perguntei porque as coisas têm que mudar tanto assim. Porque as pessoas somem. Porque passado uns anos, essas pessoas deixam de nos ser assim tão importantes. Será que elas também sentem saudades? Saudade está relacionado com a distância. E essa “distância” é aquilo que mais corrói todo o tipo de relações. Ainda me lembro da minha melhor amiga de infância e a vi outro dia no mesmo autocarro que eu. Trocámos uns olhares e na minha mente veio a pergunta “Será que ela se lembra de mim?”. E com essa pergunta, vieram as lembranças… “Seremos sempre melhor amigas…”. Não. Ela mudou-se, perdemos o contacto e como é do ser humano, a gente deixa ir. Não procura. Acomoda-se. O ser humano não gosta de sofrer e não foi desenhado para isso. Acabamos por as substituir. Como eu fui substituída na vida da minha melhor amiga de infância, eu também a substituí. Senti saudades, um aperto no coração, uma agonia mas, não me ia rebaixar com isso… e não fui falar com ela. A distância e o tempo mudaram as coisas. As pessoas mudam, tudo. Fica tudo na saudade. As memórias das pessoas nos tempos que nos faziam sorrir, o tempo da inocência, o tempo de não ter preocupações. Hoje estou nostálgica, hoje estou com saudades. E, por mais que seja horrível sentir saudades, foi sinal de que valeu a pena. É um paradoxo. É tudo resumido numa expressão.
Eu odeio sentir saudades mas gosto de ter algo para sentir saudades”.

Text posted 1 year ago