theme by pouretrebelle

Em nós.

Hoje não dormi a pensar em nós. E acordei dos meus pensamentos ora vagos ora cheios, a pensar em nós. Em como tudo começou, em como tudo se construiu a partir de uma pequena cena até ao clímax da história que eu ainda não sei como terminar e que eu nem quero, por sombras, terminar. A gente se encaixa tão bem. Contudo, ao mesmo tempo, nós conseguimos ser piores que os opostos e em nada parecemos concordar. Somos água, quando calmos e no abraço e um fogo incapaz de ser extinto e inflamando tudo ao redor quando agitados, quando o sangue ferve na veia. Somos branco quando tudo é claro, pacífico e somos preto quando procuramos no nosso “eu” mais obscuro aquela palavra para magoar de um jeito melhor, ou pior, o outro. Somos o belo quando os sorrisos estão sempre estampados no rosto, nos lábios e no olhar mas, somos também o horrível quando em momentos as lágrimas surgem. Somos o inquestionável quando já tudo parece ser certo e somos o incerto quando mil perguntas passam pela nossa cabeça e nos deixam o coração no peito pequenino. Em nós vejo mil e uma contradições e eu não conseguiria nos ver de outra maneira. Não seríamos nós. Porém, em contra partida, eu vejo uma coisa que não há como contradizer: a vontade, a tentativa. Eu nunca nos vi a desistir de todo. As palavras se tornaram simples palavras quando, por um gesto, uma acção nós acabamos por estar ali, sempre. Não adianta culpar o destino algumas vezes, estas coisas somos nós que as fazemos, a obra é nossa. É a nossa vontade. Talvez isso nos faça sentir um pouco mais diferentes “do outro”. Talvez, em nós, eu consiga sentir aquilo a que chamo amor, aquele tanto de amor que não nos deixa desistir, dizer “adeus”. Porque dói, porque respirar o fogo, o preto, o horrível e o incerto todas as vezes não me parece um elixir para a felicidade; esta que eu procuro. Esta que eu encontro em nós.

O sonho de querer sonhar

“Sonho. Não queria mais um sonho por terra.” Como assim um sonho? Sempre a julgaram por não conseguir pensar além, por sempre ter os pés assentes na terra, por não pensar no que seria impossível ou, mesmo não o sendo, tudo aquilo que tivesse por muito empenho o levar de uma vida, do tempo precioso desta, um todo esforço que ela diria desnecessário. “A vida é tão curta, tu não sabes como acordas amanhã.” Havia uma razão para ela pensar assim, claro. A experiência de vida lhe mostrara que as coisas tendem a correr sempre de maneira diferente aquelas que damos por nós a imaginar. Karma. Mas esse sonho não era impossível, esse sonho era algo que ela nutria de uma vontade inexplicável. Ela queria tanto realizá-lo, ela se tinha por tantos minutos do seu dia pensando nele. E, oh, se ela pudesse ela o transformaria em realidade naquele estalar de dedos.
Mas, por vezes, ela acordava de manhã e sentia tudo mais longe; fosse até pela chuva lá fora, e mesmo repetindo para ela mesma que não queria mais um sonho por terra e queria, antes, que o mesmo pudesse voar… Ela o deixaria morrer. A pouco e pouco. Dentro dela.

Era como voltar aquela triste realidade.

Depois da traição.

E é um nojo que eu sinto. De ti, dela. De vocês os dois. Dela eu sempre tive, de ti não. Eu gostava de ti. Os últimos dias e acontecimentos me demonstram coisas diferentes do que eu imaginava. Por que me julgas por eu não ter (sequer?!) mudado algo em mim - sendo que eu mudei, tudo o que eu fiz por ti - quando hoje mesmo demonstraste que, afinal de contas, voltaste a fazer o mesmo que sempre fizeste? E isso porque não te importas com ninguém. Alguma vez te importaste? Mesmo que algo em mim diga que sim, tu sempre te importaste, hoje eu quero pensar que não. Se torna mais fácil. Eu quero as coisas mais fáceis agora.

No fim é como aquela minha amiga diria. Tu pegaste o meu coração, despedaçaste-o. Fazes o que queres, inclusive comigo e depois tentas voltar ao que tudo era normal com essas palavras feitas e mansas, capaz de fazer doer o meu já dolorido coração. Mas nada mais é normal. Desta vez eu deixo a raiva me consumir, tomar conta dos meus pensamentos e consequentemente das minhas acções… com a esperança que isto tudo mude. Porque é o que eu mais quero agora: deixar de gostar de ti. Me libertar, deixar-me ir.


(É o que eu realmente espero)

Se daqui a pouco.

Não quero mais estar nesses braços se sei que daqui a pouco vou ter que me soltar deles. Esse daqui a pouco depois do calor dos mesmos já me ter envolvido, do teu cheiro ficar impregnado nas minhas roupas e em mim, do escutar do bater do teu coração se ter tornado a minha constante música. Não quero mais desse teu beijo húmido, do gosto dele, da sensação das nossas línguas se explorando se daqui a pouco eu vou precisar respirar, tomar o fôlego, me afastar. Não quero mais desse sentir a tua pele nas minhas mãos se daqui a pouco só vai restar-me a imaginação daquilo que um dia foi. Não quero tentar mais por algo com um fim marcado. Eu mereço mais. Eu mereço a incerteza, eu não quero a certeza do fim e eu não posso, não posso mentir a mim mesma dizer querer viver numa alegria assim fugaz. Eu não vou viver nessa alegria fugaz. Eu quero o eterno. Eu não quero te ver sair, sentir-te escapando pelos meus dedos. Eu não quero um fim para nós. Eu não quero um fim. Mas oh, tudo tem um fim.

10 minutos

Ela estava feliz por o ter ali, com ela. Estava nas nuvens, o seu coração batia calmo dentro do seu peito. Ou talvez não. Talvez o mesmo pulasse fortemente por todo aquele sentimento, por sentir que ali, conversando com ele, era o melhor que ela poderia estar a fazer naquele momento. Calma, era só como ela se sentia, tão bem, em paz. A conversa não tinha um tema especial e era na variedade dos mesmos que estava a animação para ela, como eles poderiam fazer de qualquer coisa interessante, digna de acontecimentos tão fantásticos, daqueles que ocupariam páginas e páginas de revistas e jornais. Para ela. Pois, quem visse de fora, quem não pertencesse àquele mundo deles, não ligaria. Não se interessar-se-ia.
“Eu tenho que ir.”. Oh, ele teria que ir. A ansiedade de o poder voltar a ver, por mais em horas que fossem e que chegariam rápido, já se transformava numa saudade. Ela não queria que ele fosse assim, queria aproveitar mais um pouco. “Não. Fica mais um pouquinho.”. Só isso. Podiam ser mais meia dúzia, dez minutos. Ela só queria aproveitar de um jeito melhor os minutos que teria a mais com ele e não com conversas idiotamente perfeitas e sem rumo, mas para lhe dizer, lhe relembrar como ela o amava, gostava dele, lhe desejar um resto de bom dia, poder se despedir de um jeito que ela gostasse - já que despedidas, nunca seriam a coisa favorita dela fazer. Era só mais um pouco na companhia dele. Contudo, isso foi-lhe negado. Apenas 10 minutos lhe foram negados. Ela precisou manter-se calma enquanto o olhava sair. As conversas de antes tornaram-se vagas, ela não queria acreditar que um sexto de uma hora iria fazer tanta diferença na vida dela. Engoliu em seco várias vezes e o seu coração continuava a bater forte no seu peito. Porém, agora doía e não lhe trazia paz. “Como ele, justo ele, não pode ficar dez minutos a mais comigo? Eu não pedi nada impossível.”. E é, ela estava certa. Não era impossível. Mas ele foi e não ficou mais com ela e, machucada, não conseguiu dizer que o amava no momento em que ele saiu.
Era uma coisa tão pequena. Novamente, ninguém mais compreenderia porque ela tinha ficado assim justo a um detalhe tão estúpido como dez simples minutos, e esse mesmo detalhe seria de todo ignorado por ela se não fosse por ele, se não fosse por ela lhe ter pedido “Fica mais um pouquinho…”.
As horas passaram e ele acabou por voltar. Arrependido. Talvez ele se tivesse apercebido que mais dez míseros minutos na companhia dela não lhe teriam feito grande diferença lá fora ou que, se fosse ele pedindo, ele gostaria que ela ficasse também… nem que não dissesse nada, só por o simples prazer de continuar na companhia dele. Ele atrasou o relógio dez minutos, exactamente, e junto com um pedido de desculpas. Não mudaria o facto de ele ter antes lhe negado um prazer tão pequeno e negligenciar os sentimentos dela por ser “uma coisa tão pequena” que a tinha feito chorar… mas, lhe trouxe uma paz, uma vontade de resolver as coisas e não deixar aqueles dez estúpidos minutos lhe tirarem o sono. As atitudes contavam - e contam, mais que palavras: Um gesto vale por mil palavras - e a dele, valeu por muitas. Aliás, as duas atitudes dele. A má e a boa. Para o bem e para o mal, como o que ele fazia tinha tanto efeito nela assim?

A situação tinha tudo para ficar bem e eles pudessem voltar àquele mundo deles sem que pensassem mais na diferença de uns minutos. Porém, se assim fosse, ela não estaria a escrever um texto intitulado “10 minutos”… Não é mesmo?

Moral da história: Incrível como aquela pessoa pode fazer as pequeníssimas boas coisas tanto serem as melhores do mundo, como tornar as menos boas em algo que nos derruba. E é estupidamente ridículo como um detalhe pode simplesmente conseguir abalar uma história feliz.

Uma questão de amor

Não escrevo com a intenção de criticarem de forma pejorativa mas eu deixo a minha opinião aqui, exposta, e com ela não quero ser rotulada de X e Y. Considero-me mente aberta, já disse. Mesmo que hajam excepções - elas sempre existem. Homossexualismo. Para mim, mais que uma questão pornográfica, uma questão de amor. Digo isto porque ainda outro dia, numa conversa com pessoas dignas de experiência de vida, apercebi-me de que, na verdade, não passam de umas retrógadas, incapazes de acompanhar a evolução - ainda bem que esta existe! - do mundo. Cada um é livre para escolher o que quer vestir, o que quer exercer no seu futuro, até o nome e a sua identidade podem mudar um dia… e então, por que razão indivíduos são tão criticados pela sua opção sexual, por que são vitímas desse preconceito nojento só porque amam alguém do mesmo sexo? Por quê? “Ah, porque Deus criou o homem e a mulher. É assim que deve ser”. Estará isso escrito em algum lugar? E se estiver? Nunca houve alguém que sempre fugiu à regra? Frisei a palavra relacionada ao amor porque é disso mesmo que se trata. As pessoas apaixonam-se por alguém que lhes faça bem, lhes faça sentir coisas que poderão ser impossíveis de explicar e que, ao mesmo tempo, lhes traga a segurança de que precisam, as façam sentir como elas são. Lhes proporcionem felicidade. Certo? Certo. Onde entra a questão anatómica de uma pessoa neste aspecto? Pois é. Não entra. É como o “Quem o feio ama, bonito lhe parece” ou outro provérbio que se possa aplicar à situação. O amor sincero é aquele que se sente, não se explica.
“Lá era eu que lambia a **** a uma mulher. Que nojo.” Deprimente esse tipo de afirmação. Já lhe passou pela cabeça que é muito mais que isso? Que é a vontade de dar prazer sexual - e olhem que existem vários tipos de prazer - a quem se gosta, se ama?
Talvez não venha ao caso, talvez sim. Mas a maior parte dos homofóbicos sempre relacionam a questão física. Os sexos são diferentes, não fomos desenhados assim. Mas então, amamos quem a pessoa é… ou o corpo da mesma? Hum. O exemplo das pessoas invisuais. Elas não se podem apaixonar, também, sem nunca terem visto a pessoa em causa? Então? Ou um branco não se pode apaixonar por uma negra? Um católico por um judeu?
O amor foi feito para todos e sem ligar à cor da pessoa, se é gorda se é magra, à religião da mesma e, com toda a certeza, sem ligar ao sexo da mesma.
Um pouco mais de amor, por favor. Vamos crescer, chega de premissas, regras, preconceito. O mundo é bissexual, se não houvesse distinção de sexo por quem haveria você de se apaixonar? Ninguém? Duvido.

Estou orgulhosa de viver num país onde o casamento homossexual já é permitido.

Saudade

Saudade. Não existe coisa que me consiga trazer mais angústia, nostalgia e tristeza. Sentir saudades é a pior das emoções de um ser humano. É o que mais dói. Mais ainda quando não as podemos “matar”. E eu tenho saudades. Tenho saudades de pessoas, dos meus brinquedos de infância, da minha própria infância, da minha família que já se foi. E eu sempre me perguntei porque as coisas têm que mudar tanto assim. Porque as pessoas somem. Porque passado uns anos, essas pessoas deixam de nos ser assim tão importantes. Será que elas também sentem saudades? Saudade está relacionado com a distância. E essa “distância” é aquilo que mais corrói todo o tipo de relações. Ainda me lembro da minha melhor amiga de infância e a vi outro dia no mesmo autocarro que eu. Trocámos uns olhares e na minha mente veio a pergunta “Será que ela se lembra de mim?”. E com essa pergunta, vieram as lembranças… “Seremos sempre melhor amigas…”. Não. Ela mudou-se, perdemos o contacto e como é do ser humano, a gente deixa ir. Não procura. Acomoda-se. O ser humano não gosta de sofrer e não foi desenhado para isso. Acabamos por as substituir. Como eu fui substituída na vida da minha melhor amiga de infância, eu também a substituí. Senti saudades, um aperto no coração, uma agonia mas, não me ia rebaixar com isso… e não fui falar com ela. A distância e o tempo mudaram as coisas. As pessoas mudam, tudo. Fica tudo na saudade. As memórias das pessoas nos tempos que nos faziam sorrir, o tempo da inocência, o tempo de não ter preocupações. Hoje estou nostálgica, hoje estou com saudades. E, por mais que seja horrível sentir saudades, foi sinal de que valeu a pena. É um paradoxo. É tudo resumido numa expressão.
Eu odeio sentir saudades mas gosto de ter algo para sentir saudades”.

Máscaras

Precisamos realmente de uma para sobreviver neste mundo? Eu penso que não. Existem aquelas pessoas que não gostam de mostrar os seus sentimentos mais tristes, os seus prolemas e bem, aí eu tendo a concordar pois não ando e nem faço questão de gritar ao mundo os meus problemas e as vezes que me sinto triste, ou o que por aí vier. Mas a pergunta é: Mudar quem eu sou? Criar uma imagem diferente de mim para que os outros não possam ver quem eu realmente sou? Se eu sou esta mulher sonhadora que sempre quis e quer um ombro para poder chorar quando necessário, um abraço confortável, ser escutada e até ter alguém para com quem partilhar a minha cama, eu não vou esconder esta parte de mim atrás de uma máscara onde mostro como estou bem, como sou feliz por não ter ninguém, afinal, ali para mim.
Prefiro ser chamada de “fraca” em vez daquela do “coração de pedra”, “insensível”, “fria”. E, no meu ponto de vista - e é bastante difícil mudar as minhas ideias e opiniões mesmo que eu seja bem mente aberta - eu digo que o “fraco” é aquele que se esconde. Chorar, dizer “Estou triste hoje” não é um sentimento nem sinal de fraqueza. É de força, um sentir-se tão forte onde nos mostramos como somos, o que sentimentos sem o medo, o receio, de sermos criticados pelos demais. É estar em paz connosco. Comigo, com o meu interior, com a forma como sou.

É como aquela frase diz, e muito bem, “Aqueles que mostram quem realmente são, são aqueles que se encontram a eles mesmos, mesmo que se percam nesse caminho”.